APOD 19/04/2026 — O Olho da Via Láctea no Atacama
A NASA APOD (Astronomy Picture of the Day) desta data, 19 de abril de 2026, traz uma das composições astrofotográficas mais poéticas já publicadas pelo programa: "Eye on the Milky Way" — o Olho da Via Láctea. A imagem foi capturada pelo astrofotógrafo português Miguel Claro nos Ojos de Salar, no Deserto do Atacama, Chile, em 2019, como um mosaico de 27 frames individuais.
O QUE ESTAMOS VENDO?
O "olho" na imagem é, na verdade, uma pequena lagoa natural cuja superfície calma reflete o céu noturno como um espelho perfeito, criando a ilusão de uma íris cósmica repleta de estrelas. O terreno rochoso e avermelhado ao redor lembra mais a superfície de Marte do que a da Terra.
A faixa brilhante da Via Láctea é formada por bilhões de estrelas, cruzadas por filamentos de poeira interestelar e nebulosas avermelhadas. Dois planetas também aparecem na cena: Júpiter, levemente à esquerda do arco galáctico, e Saturno, um pouco à direita. As luzes de pequenas cidades pontuam o horizonte vertical, dando escala à composição.
OJOS DE SALAR — O OLHO DO DESERTO
Os Ojos de Salar ("olhos do salar", em espanhol) são duas lagoas rasas localizadas a aproximadamente 30 km de San Pedro de Atacama, no norte do Chile. Próximas uma da outra, formam uma silhueta que lembra um par de olhos voltados para o céu.
O Deserto do Atacama é reconhecido mundialmente como um dos melhores lugares para astronomia: altitude elevada, ar extremamente seco, pouca poluição luminosa e mais de 300 noites limpas por ano. Por isso, abriga observatórios de classe mundial como o ALMA (Atacama Large Millimeter/submillimeter Array) e o VLT (Very Large Telescope) da ESO. No hemisfério sul, durante julho, o núcleo da Via Láctea atinge o zênite local — tornando o cenário ainda mais espetacular para a astrofotografia.
QUEM É MIGUEL CLARO?
Miguel Claro é fotógrafo profissional, autor e comunicador científico português, nascido em 1977. É membro do projeto TWAN (The World at Night), representando Portugal, Embaixador de Foto do Observatório Europeu do Sul (ESO) e astrofotógrafo oficial da Reserva Dark Sky Alqueva — o primeiro destino de turismo estelar certificado do mundo, no Alentejo, Portugal, reconhecido pela Fundação Starlight com apoio da UNESCO e da Organização Mundial do Turismo.
Suas imagens são publicadas regularmente na National Geographic, Ciel et Espace e Astronomy. Em 2019, venceu o prêmio Insight Investment Astronomy Photographer of the Year — People's Choice Award.
VIA LÁCTEA: NOSSA GALÁXIA VISTA DE DENTRO
Quando olhamos para a faixa leitosa que cruza o céu noturno, estamos observando o disco da nossa própria galáxia — a Via Láctea — de dentro para fora. Ela é uma galáxia espiral barrada com entre 100 e 400 bilhões de estrelas, com cerca de 100 mil anos-luz de diâmetro. Nossa posição fica no Braço de Órion, a aproximadamente 26 mil anos-luz do centro galáctico, na direção da constelação de Sagitário.
A aparente suavidade da faixa é enganosa: ela é cortada por densos filamentos de poeira que bloqueiam a luz das estrelas atrás deles, e salpicada por regiões de formação estelar que brilham em vermelho. É exatamente essa riqueza de detalhes que imagens como a de Miguel Claro revelam ao observador atento.
FONTES
- NASA APOD — apod.nasa.gov/apod/ap260419.html
- Miguel Claro — miguelclaro.com
- ESO / FCT — fct.pt (expedição portuguesa ao ESO)
- TWAN — twanight.org/profile/miguel-claro
— Astrônomo Amador | Post baseado na NASA APOD do dia —

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